História sendo escrita


Faz tempo que não escrevo aqui neste blog que é lido por milhares de leitores neste mundo afora. Então vamos lá. Desde que nos mudamos em fevereiro de 2010 para os US and A vários acontecimentos importantes ocorreram: o Green Bay Packers foi campeão de futebol americano (time aqui do estado), o presidente Obama visitou Racine e passou de carro a menos de 5 metros de minha pessoa (não acredita? olha este post). Mas nenhum destes acontecimentos foi tão significativo quanto o que aconteceu na noite de domingo, 1 de maio de 2011.

Estava eu vendo TV  a noite quando começaram os “Breaking News” em todas as emissoras. Na mesma hora mudei o canal para a CNN e abismado vi a manchete: “Osama bin Laden foi morto no Paquistão”, e um calafrio me acometeu. Foram quase dez anos de caçada ao maior terrorista de todos os tempos e finalmente pegaram o cara. Fiquei acordado até quase 6 da manhã vendo as notícias e acompanhando a história ser escrita.

Acompanhar este evento estando nos EUA é diferente em vários pontos: primeiro, as notícias sobre o ocorrido são geradas aqui; segundo, estou tendo a oportunidade de aprender um pouco mais sobre o sentimento americano em relação ao terrorismo e guerras e finalmente, leio o que está sendo escrito em alguns veículos de comunicação do Brasil após a noticia ser divulgada nos EUA, o que faz uma diferença absurda, pois muitas vezes a noticia é interpretada e não noticiada…

E é justamente neste ponto que eu quero chegar, notícia. Li em alguns lugares absurdos como este, este e um dos piores de todos este. Amigos, nos brasileiros nunca sofremos um atentado das proporções como os EUA sofreram, nunca participamos de guerras decidindo-a efetivamente,  não temos em nossas analises sobre  a morte do Osama o efeito do lado emocional como os americanos têm.

O atentado de 11 de setembro não somente matou milhares de pessoas mas mudou completamente a vida de um país inteiro. Mas para alguns a morte de Osama foi algo abominável. Nos links que coloquei acima tu podes ler: “Porque não capturaram o Osama vivo? Porque não enterraram o corpo? Porque não mostram fotos dele morto assim como mostraram do Sadam? O cara tinha direito a julgamento…” e por aí vai. Mas muitos comemoram quando um ladrão ou estuprador apanha na rua quando é pego e linchado pela população. Tá bom, comemorar é muito…ok, mas muitos não falam nada quando isso acontece, ou acham que o cara “merecia, vagabundo tem que apanhar e morrer mesmo”, mas matar o Osama não pode não.

Fica muito difícil para nós brasileiros tentarmos dar pitaco nas ações do EUA pois nossa cultura é outra, para o povo americano a morte de Osama não foi só um “merecia, vagabundo tem que morrer mesmo…” o contexto por trás deste sentimento é muito mais complexo do que imaginamos. Até porque historicamente os EUA para muitos de nós são a origem de todo o mal no mundo não é? Duvido aqui quem nunca teve uma aula de historia em que o professor pintou os EUA como sendo a fábrica de todos os cramulhões do mundo.

Experimente meu amigo, conversar com um americano sobre o 9/11. A duas semanas atrás uma professora minha chorou quando lembrou do acontecido, e este professora é muito esclarecida, cidadã do mundo e nem um pouco tapada. Já morou em Paris, Berlim, Holanda e Canadá. Quando eu digo para conversar com alguém sobre isso é para que tu tenhas a visão do outro lado da mesa, não digo que tu tenhas que concordar mas apenas conhecer o outro lado da história.

O que me motivou a escrever este post foi um conversa que tive com um veterano de guerra hoje em um restaurante (e outro motivador também foi o amigo Grillo que escreveu no FaceBook perguntando porque não escrever algo no blog). O cara participou de duas incursões no Afeganistão, uma em 2006 e outra em 2008. Este tipo de experiencia é que eu digo que nós brasileiros não temos. O cara viu amigos serem mortos, viu muita barbaridade e em certos momentos de nossa conversa ele se calou, olhava para o nada, imagino eu que estava revivendo em sua cabeça as coisas que deve ter visto na guerra.

O mérito ou demérito de entrar em guerra não vem ao caso aqui, pois não sou especialista em assuntos internacionais mas o que eu tenho lido de absurdos na internet não está no gibi. Todos agora são especialistas em algo: temos especialistas em islamismo, especialistas em militarismo americano, especialistas em assuntos de guerra e por ai vai. Todos querem fotos, vídeos, provas de que o Osama morreu mesmo…tá bom, mas a chegada a lua foi transmitida pela TV e até hoje tem gente que não acredita, fazer o que né?

Amigolhes, o que temos que entender é que existe uma esfera de poder que está muito acima de nós, mas muito mesmo. Todos querem detalhes sobre a ação que levou meses para ser planejada, que impactou na história do mundo e o povão quer foto, corpo, provas…não sejamos inocentes né, antes de qualquer informação ser revelada muita gente tem que ser consultada. E o “especialista” consultado pelo site Terra diz: “Ninguém sabia que aquilo estava sendo planejado. É o tipo de iniciativa que não foi transparente…” este trecho tirei do segundo link citado lá no começo.

Concordo que algumas perguntas têm que ser respondidas, mas parece que é difícil para alguns pensar um pouco, ser mais prático e lógico em seu raciocínio…é mais fácil tumultuar, ir atrás de demônios que não existem…Enquanto besteiras são escritas por anônimos na internet tudo bem, o problema é quando notórios escrevem besteiras que estes anônimos vão ler no futuro, aí o bicho pega.

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